19 de agosto de 2026

Folha Amazônica

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Paralisação de ônibus em Manaus: 80% da frota volta às ruas nesta terça-feira, diz Sindicato

Retomada da operação ocorre horas após o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) determinar que 80% da frota operasse nos horários de pico e 50% nos demais períodos.

Foto: Divulgação

Os ônibus do transporte coletivo começaram a voltar às ruas de Manaus na madrugada desta terça-feira, 21/07, após a paralisação dos rodoviários iniciada na segunda-feira, 20/07. Os primeiros veículos saíram das garagens por volta das 4h40. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), cerca de 80% da frota está em operação. 

O Sinetram informou que policiais militares permanecem nas garagens durante a liberação dos ônibus e que todas as empresas voltaram a colocar veículos em circulação. 

A retomada da operação ocorre horas após o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) determinar que 80% da frota operasse nos horários de pico e 50% nos demais períodos, sob pena de multa de R$ 120 mil por hora em caso de descumprimento.

Na manhã desta terça-feira, passageiros ouvidos pela Rede Amazônica nos Terminais 4 e 5 relataram os reflexos da paralisação. Muitos disseram que precisaram recorrer a carros por aplicativo para voltar para casa e saíram novamente preocupados com a possibilidade de uma nova interrupção do serviço. 

O estudante Renan contou que não conseguiu encontrar ônibus após sair da escola na segunda-feira e precisou pagar por uma corrida de aplicativo. “Quando tem essas greves aumenta os preços, né. Aí fica complicada a situação”, disse. Já nesta terça, afirmou que saiu de casa apreensivo, mas encontrou a circulação dos ônibus aparentemente normal. 

O trabalhador da construção civil Elias também teve gastos extras. Ele desembolsou R$ 65 para voltar da Ponta Negra, na Zona Oeste, até a Zona Leste de Manaus. Segundo ele, o valor comprometeu praticamente toda a renda do dia. 

“Foi um prejuízo, porque o dia de ontem praticamente foi só para pagar o Uber e voltar para casa”, afirmou. Nesta terça, ele disse esperar que não haja uma nova paralisação. “Se tiver greve de novo é mais um prejuízo pro bolso.”

Para o passageiro Onofre, a paralisação afetou diretamente quem depende do transporte coletivo. Ele contou que, na segunda-feira, só conseguiu chegar em casa perto da meia-noite. “A gente trabalha o dia todo cansado e, quando vem para casa, não tem um ônibus para trazer nós”, disse.

A auxiliar de serviços Valdilane também enfrentou dificuldades para voltar para casa. Ela afirmou que precisou pegar uma carona e, depois, uma lotação para concluir o trajeto. Nesta terça-feira, saiu de casa novamente preocupada e disse que ainda aguardava a chegada do ônibus. 

Apesar dos transtornos do dia anterior, o servidor público Jorge, morador do bairro Grande Vitória, afirmou que conseguiu chegar ao Terminal 5 sem dificuldades para seguir ao trabalho no Coroado. “Até o momento está tudo normal”, relatou. 

O que motivou a paralisação

De acordo com o Sindicato dos Rodoviários, a paralisação foi motivada pelo atraso no pagamento dos salários da categoria. Segundo o presidente da entidade, Givancir Oliveira, as empresas de ônibus descumpriram os prazos de pagamento previstos pela Justiça.

No início deste mês, o TRT-11 concedeu uma liminar determinando que as empresas paguem 40% dos salários até o dia 20 de cada mês — ou no dia útil anterior, quando a data cair em fim de semana ou feriado — e os 60% restantes até o quinto dia útil do mês seguinte. Segundo o sindicato, esse prazo não foi cumprido na segunda-feira (20).

Aulas municipais seguem normais; universidades adotam formato remoto

A paralisação do transporte coletivo não afetou o funcionamento das escolas municipais de Manaus nesta terça-feira (21), segundo a Secretaria Municipal de Educação (Semed). De acordo com a pasta, as 520 unidades da rede funcionam normalmente, com atividades pedagógicas mantidas. 

A Semed informou que a maioria dos estudantes está matriculada em escolas próximas às residências, o que reduz o impacto da falta de ônibus no deslocamento dos alunos. 

Já a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) adotaram atividades remotas nesta terça-feira para servidores e estudantes das unidades localizadas em Manaus. 

A UEA informou que a medida vale para servidores administrativos, já que a instituição está em período de recesso acadêmico. A Ufam autorizou atividades acadêmicas de forma remota nas unidades da capital devido às dificuldades de deslocamento provocadas pela paralisação do transporte coletivo.

Motivo da paralisação

De acordo com o Sindicato dos Rodoviários, a paralisação é motivada pelo atraso nos pagamentos dos salários da categoria. Segundo o presidente do sindicato, Givancir Oliveira, a decisão foi tomada após as empresas de ônibus continuarem descumprindo os prazos de pagamento. 

Em entrevista à Rede Amazônica, o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Josenildo Silva, disse que o pagamento dos trabalhadores já foi garantido anteriormente por sentença judicial, que, segundo ele, não foi respeitada e cumprida pelas empresas de transporte coletivo. 

“Mesmo com a sentença assinada pelo desembargador Jorge Álvaro multando as empresas, eles não respeitaram. A Prefeitura precisa resolver essa pasta. O trabalhador precisa pagar as contas, tem água, tem luz, aluguel”, informou.

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