16 de outubro de 2026

Folha Amazônica

Tenha um Portal de Notícias Moderno, Dinâmico, Rápido e Profissional. Entregamos seu Site de Notícias Pronto, Instalado, Hospedado, com Manual Passo a Passo e Suporte 24 horas.

Subsolo do Amazonas guarda riquezas estratégicas, mas setor enfrenta gargalos ambientais, geológicos e jurídicos

Estudo da ANM mostra que estado movimentou R$ 908 milhões em minerais críticos em 2024, mas responde por apenas 6,1% dos processos da Amazônia Legal. Especialistas analisam o potencial do potássio em Autazes, terras raras no Rio Negro e os desafios socioambientais.

Foto: Divulgação

Riquíssimo em insumos estratégicos para a transição energética e com um faturamento que alcançou R$ 908 milhões em 2024, o subsolo do Amazonas vive um paradoxo: Apesar das jazidas de relevância internacional, o estado responde por apenas 6,1% dos processos minerários ativos da Amazônia Legal e por apenas 0,5% dos royalties arrecadados na região. 

Os dados, que constam em um levantamento recente da Agência Nacional de Mineração (ANM), acendem o debate sobre os limites técnicos, econômicos e socioambientais para a extração de minérios em meio à floresta tropical. Para entender o que trava o avanço desse setor e os riscos envolvidos, o g1 ouviu especialistas em geologia e em direito ambiental.

O sal de Autazes e as riquezas do subsolo amazonense

A Bacia do Amazonas concentra reservas de grande escala. O principal destaque do estado é o Projeto Potássio Autazes, localizado no município de Autazes (a 112 km de Manaus).

A silvinita (rocha de onde se extrai o potássio) se estende por mais de 155 km² na região, em profundidades que variam entre 685 e 865 metros. 

Além do potássio, levantamentos do Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontam um alto potencial de nióbio e terras raras na Bacia do Rio Negro, enquanto a Mina Pitinga, em Presidente Figueiredo, se consolida como a maior reserva e produtora de estanho do Brasil.

Potencial existe, mas ambiente e logística exigem rigor’, avalia especialista

A baixa representatividade do Amazonas no total de processos minerários da região (6,1%) não significa ausência de minérios, mas reflete a predominância de rochas sedimentares e a densa cobertura florestal, que dificultam a identificação de jazidas. Quem explica é o geólogo Tiago Felipe Arruda Maia, professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e especialista em gênese de depósitos minerais. 

“Diversas apreensões de minérios nos nossos rios e em aeronaves clandestinas, feitas pelas polícias civil e federal, são prova disso, junto às inúmeras ocorrências de garimpos ilegais no estado. Uma maior cartografia geológica de detalhe e aerogeofísica no estado irão revelar os detalhes da geologia, mas o potencial existe com toda certeza“, afirma o professor Tiago Maia.

Em relação ao projeto subterrâneo em Autazes, o geólogo afasta os riscos de afundamento de solo como o registrado em Maceió, no Alagoas. Ele explica que a presença de uma camada selante de rocha sedimentar e o preenchimento das cavas com o próprio sal residual garantem a estabilidade da operação. 

“Haverá pouquíssima entrada de água superficial e/ou subterrânea nessa camada de sal capaz de dissolvê-lo e gerar afundamento do solo acima dele. Portanto o projeto tem viabilidade técnica para sua execução, mas um monitoramento e fiscalização precisos e constantes têm que ser feitos para garantir que tudo será executado corretamente”, pondera o geólogo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *