10 de julho de 2026

Folha Amazônica

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Educação é apontada como eixo central para fortalecer a resiliência climática, defendem países e sistema ONU na COP30

Representantes de governos, organismos da ONU e sociedade civil defenderam, durante a Mesa-Redonda Ministerial de Alto Nível sobre Educação Verde na COP30, que investir em educação é essencial para preparar jovens para os impactos da mudança do clima e para mitigar suas causas. O encontro ressaltou que a formação ambiental é uma ferramenta estratégica para fortalecer a resiliência das comunidades.

A diretora de Programa da Presidência da COP30, Alice Vogas, destacou que tornar a educação um componente estruturante da ação climática exige coordenação entre países e maiores investimentos. Ela afirmou que a conferência deve impulsionar uma plataforma de cooperação internacional sobre educação climática e apontou duas prioridades: alfabetização climática de professores e formação técnica voltada aos jovens.

O secretário-executivo adjunto do Ministério da Educação (MEC), Rodolfo Cabral, lembrou que a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira já incorpora o clima de maneira transversal. Cabral citou dados do último Censo Escolar, segundo os quais 67% das escolas públicas realizam ações de educação ambiental, e anunciou a apresentação da Política Nacional de Educação Ambiental Escolar, que deve ser lançada em breve. Ele destacou iniciativas desenvolvidas por escolas em todo o país, como hortas comunitárias, reflorestamento, manejo de nascentes e descontaminação de rios.

O debate contou ainda com representantes de Cabo Verde, Mauritânia, Azerbaijão, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e outras instituições.

Adaptação e impactos na educação

Dados da Unicef apresentados no encontro mostram que 242 milhões de estudantes tiveram suas atividades escolares interrompidas por eventos extremos em 2024. No Brasil, 1,17 milhão foram afetados por alagamentos, secas e fumaça decorrente de queimadas.

Cabral explicou que a Rede África–Brasil–América Latina e Caribe em Educação e Políticas de Juventude para Sustentabilidade e Resiliência Climáticas tem como meta reduzir a evasão escolar provocada por deslocamentos climáticos até 2028, quando ocorrerá o próximo Balanço Global do Acordo de Paris. A coalizão promove troca de tecnologias sociais entre países com apoio de organismos multilaterais.

Indicadores internacionais de alfabetização climática

Durante o evento, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apresentou o primeiro rascunho do PISA 2029 Climate Literacy Framework, que criará uma métrica internacional para avaliar o nível de alfabetização climática dos estudantes. A ferramenta já foi aplicada no Pará e revelou conhecimento sólido sobre temas ambientais locais, como a Amazônia, mas também indicou lacunas na compreensão de conceitos climáticos mais amplos.

Foto: Rafael Neddermeyer/COP30

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