Violência disfarçada de defesa: advogado é preso suspeito de tentar estuprar cliente em Coari
A Polícia Civil do Amazonas prendeu, neste domingo (14/4), o advogado Raionie Cabral Queiroz, de 34 anos, em cumprimento a mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. Ele é suspeito dos crimes de tentativa de estupro e tergiversação, cometidos contra uma mulher de 20 anos que o havia procurado para representação jurídica. O mandado de prisão preventiva foi cumprido em Manaus, e o suspeito foi apresentado no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), no bairro Ponta Negra.
O caso foi registrado em agosto de 2024, no município de Coari, interior do Amazonas, quando a vítima contratou o advogado para defender seu companheiro, preso por roubo. Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia de Polícia Civil de Coari, o advogado se aproveitou da vulnerabilidade da jovem para tentar violentá-la sexualmente.

Durante a apuração do caso, a polícia colheu depoimentos da vítima e de testemunhas, além de realizar exames de corpo de delito no Hospital Regional de Coari, que confirmaram lesões nas partes íntimas da vítima, reforçando os indícios do crime.
“O advogado utilizou suas prerrogativas do estatuto da OAB para cometer crimes, aproveitando da vulnerável da vítima que contratou seus serviços jurídicos, sendo enganada e sofrendo violência sexual”, afirmou o delegado José Barradas Jr, responsável pela investigação.
Com base nos elementos reunidos, o Ministério Público requisitou a abertura de inquérito policial. A polícia concluiu que, além da tentativa de estupro, Raionie estaria atrapalhando o andamento das investigações, o que motivou o pedido de prisão preventiva, prontamente acolhido pela Justiça.

Raionie, que foi candidato à Prefeitura de Coari nas eleições de 2024, deverá passar por audiência de custódia e ficará à disposição da Justiça. A Polícia Civil afirma que as investigações prosseguem, visando garantir a responsabilização total pelos atos cometidos.
O crime de tergiversação está previsto no Artigo 355 do Código Penal Brasileiro e se refere a uma conduta criminosa cometida por advogados, procuradores ou defensores no exercício da sua função. Ele ocorre quando o profissional representa, ao mesmo tempo, partes contrárias em um mesmo processo ou interesse, o que é proibido por lei e pela ética profissional.
