18 de agosto de 2026

Folha Amazônica

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MPAM e PF desmontam esquema que usava aviões para transportar drogas pelo país

Ao todo, foram cumpridos 43 mandados judiciais, com bloqueio de R$ 7,7 milhões em ativos e destruição de duas pistas clandestinas no Amazonas.

Foto: Divulgação

Uma organização criminosa que utilizava aviões de pequeno porte, pilotos, pistas clandestinas, empresas de fachada e uma complexa estrutura financeira para transportar drogas a partir da Amazônia para outras regiões do país foi alvo da operação La Máquina, deflagrada nesta quinta-feira (13/08), pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Amazonas (Gaeco/MPAM), em conjunto com a Polícia Federal.

Resultado de uma investigação conduzida pelos dois órgãos, a operação identificou um grupo criminoso com atuação interestadual e divisão de tarefas, responsável por estruturar a logística aérea do tráfico de drogas e movimentar recursos milionários provenientes das atividades ilícitas.

Ao todo, foram cumpridos 43 mandados judiciais, incluindo 13 prisões preventivas, quatro medidas cautelares diversas da prisão e 26 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o sequestro de bens e o bloqueio de aproximadamente R$ 7,7 milhões em ativos financeiros.

As ações ocorreram simultaneamente no Amazonas, Tocantins, Roraima, Pará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Ceará e Santa Catarina, mobilizando mais de 100 policiais federais e integrantes do Gaeco.

Aviões, pistas clandestinas e uma operação logística sofisticada

A investigação conduzida por Gaeco/MPAM e PF teve entre seus pontos de partida o monitoramento de pistas clandestinas localizadas no interior do Amazonas.

A partir do aprofundamento das apurações, foi possível identificar uma estrutura especializada para viabilizar o transporte de drogas. O esquema contava com pessoas encarregadas do financiamento, contratação e pilotagem de aeronaves, manutenção, abastecimento, armazenamento de drogas, distribuição dos entorpecentes e movimentação dos recursos obtidos com o tráfico.

Segundo os elementos reunidos durante a investigação, a organização utilizava os modais aéreo, fluvial e terrestre para fazer com que as drogas chegassem a diferentes estados brasileiros.

A estrutura aérea, por exemplo, incluía aeronaves de pequeno porte, pilotos, locais clandestinos de pouso e decolagem, armazenamento de combustível em áreas remotas e estruturas destinadas à manutenção e operação das aeronaves.

Também foram identificados indícios de adulteração de identificação de aeronave, em possível tentativa de dificultar a fiscalização, além da aquisição e financiamento de aeronaves utilizadas na logística do grupo.

A Justiça autorizou ainda a destruição de duas pistas de pouso clandestinas, localizadas em Tefé e Presidente Figueiredo, apontadas pelas investigações como pontos de apoio à operação aérea da organização.

Mais de R$ 35 milhões movimentados

A investigação também avançou sobre a estrutura financeira utilizada para movimentar, ocultar e dar aparência lícita aos recursos provenientes das atividades criminosas.

Durante as apurações, foram identificadas movimentações financeiras superiores a R$ 35 milhões por pessoas físicas e jurídicas ligadas aos investigados, em valores considerados incompatíveis com as atividades econômicas oficialmente declaradas.

Entre os mecanismos identificados estão empresas de fachada, depósitos e transferências fracionadas, movimentações realizadas por terceiros e aquisição de bens em nome de pessoas interpostas.

Os recursos teriam sido empregados na aquisição de imóveis, veículos de alto padrão, embarcações e empreendimentos comerciais, formando um patrimônio incompatível com a renda formal dos investigados.

As investigações também apontaram investimentos em centros comerciais e outros empreendimentos em Manaus que, segundo os elementos reunidos, poderiam ser utilizados para conferir aparência de legalidade ao dinheiro proveniente do tráfico.

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