Mais trabalho, menos retorno: alta do IOF obriga brasileiros a trabalhar ainda mais só para pagar impostos
Se você sente que trabalha muito e recebe pouco, prepare-se: em 2025, o brasileiro terá que trabalhar ainda mais apenas para pagar impostos. Com a alta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), o tempo necessário para quitar a carga tributária vai subir de 149 para 151 dias, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).
Isso significa que até o dia 30 de maio, o cidadão estará, na prática, trabalhando só para o governo — sem ver retorno direto na qualidade dos serviços públicos.
E o cenário pode piorar: para 2026, a projeção é ainda mais pesada, com o brasileiro tendo que dedicar 153 dias do ano para arcar com a carga de impostos. Esse foi o maior patamar já registrado entre 2017 e 2019, o equivalente a cinco meses e dois dias de trabalho só para sustentar o Estado.
“O aumento do IOF é mais um retrocesso que recai sobre toda a sociedade. Enquanto o brasileiro já destina quase cinco meses do ano para sustentar o Estado, agora terá que sacrificar ainda mais dias de trabalho sem qualquer contrapartida em qualidade dos serviços públicos”, critica João Eloi Olenike, presidente-executivo do IBPT.
Imposto invisível, impacto real
O IOF incide em praticamente todas as transações financeiras do dia a dia: empréstimos, financiamentos, seguros, operações de câmbio, crédito rotativo do cartão, remessas internacionais, entre outros. Ou seja, mesmo quem não está diretamente pegando crédito acaba sendo afetado — já que o imposto encarece custos para empresas e repassa impactos para o consumidor final.
A estimativa do IBPT considera impostos federais, estaduais e municipais e mostra que o brasileiro ainda sofre com uma alta carga tributária e pouca transparência sobre onde o dinheiro arrecadado é investido.
Em tempos de inflação persistente, crédito caro e serviços públicos aquém das expectativas, o aumento do IOF aprofunda um sentimento comum: o de que o cidadão brasileiro paga muito e recebe pouco.
Dados: BBC Brasil
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