10 de julho de 2026

Folha Amazônica

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Incêndios e secas reduzem a capacidade da Amazônia de armazenar carbono, aponta estudo

Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), publicado na revista científica Forest Ecology and Management, revelou que os incêndios e as secas severas estão comprometendo a capacidade da floresta amazônica de armazenar carbono. Esses eventos extremos interferem diretamente na troca de carbono entre o solo e a atmosfera, prejudicando o equilíbrio ambiental da região.

De acordo com a pesquisa, os incêndios reduziram o efluxo de carbono do solo em 18,7%, enquanto as secas tiveram um impacto de 17%. Isso significa que a floresta enfrenta dificuldades para manter o ciclo natural de absorção e liberação de CO2, processo essencial para a regulação do clima global.

Impacto no ecossistema

Os cientistas analisaram os efeitos desses fenômenos na umidade do solo, na produtividade das raízes e na liberação de CO2 em uma área de floresta de transição amazônica. O estudo foi realizado na Estação de Pesquisa Tanguro, no estado do Mato Grosso, entre 2004 e 2010. A região integra a Amazônia Legal, que abrange também os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima, Maranhão, Tocantins e Rondônia.

“Essas florestas atingidas por fogo e seca vão se tornando cada vez mais degradadas ao longo do tempo, principalmente devido à redução do intervalo de tempo entre esses eventos extremos, impedindo que elas se recuperem. Isso significa que elas vão perdendo sua capacidade de estocar carbono no solo, e passam a usar suas reservas de energia para conseguir suportar esses eventos extremos e sobreviver. Como consequência, a floresta reduz sua capacidade de retirar carbono da atmosfera, agravando a emergência climática, além de ameaçar a capacidade da floresta de se manter viva”, detalha Leonardo Maracahipes-Santos, coordenador da Estação de Pesquisa Tanguro, pesquisador do IPAM e um dos autores do estudo.

Os resultados mostraram que, durante secas severas, extensas áreas de floresta perdem umidade rapidamente, tornando-se mais inflamáveis e aumentando a ocorrência de incêndios. Além disso, a morte de árvores e raízes, intensificada pelas queimadas e pela falta de água, reduz a capacidade da floresta de realizar a fotossíntese, essencial para a captação de carbono.

Ação humana e mudanças climáticas

Os pesquisadores destacam que incêndios naturais são raros na Amazônia, mas ações humanas, como queimadas ilegais e desmatamento, potencializam os efeitos das secas e tornam os incêndios mais devastadores. O aumento da frequência desses eventos é impulsionado pelas mudanças climáticas, que elevam as temperaturas e reduzem os períodos de chuvas.

Segundo o pesquisador Leonardo Maracahipes-Santos, coordenador da estação de pesquisa, a curta periodicidade entre eventos extremos impede a regeneração natural da floresta, tornando-a cada vez mais degradada. “As florestas afetadas perdem progressivamente sua capacidade de estocar carbono no solo e passam a utilizar suas reservas energéticas para sobreviver”, explicou.

O estudo alerta que essas mudanças afetam não apenas a Amazônia, mas também o ciclo global do carbono. Com a perda da capacidade de armazenamento, mais CO2 é liberado na atmosfera, agravando o aquecimento global e gerando um ciclo de impactos ambientais cada vez mais intensos.

Diante desse cenário, os cientistas reforçam a necessidade de políticas públicas eficazes para conter o desmatamento, reduzir as emissões de gases de efeito estufa e preservar os ecossistemas da Amazônia, garantindo sua função essencial na regulação do clima global.

Foto: Pixabay

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