IBGE aponta queda de 11% na produção industrial apesar de recordes da Zona Franca de Manaus
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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a produção física das indústrias do Amazonas caiu 11,3% em junho na comparação com maio, além de recuar 10% no paralelo com o mesmo mês em 2025. Os dados constam na Pesquisa Industrial Mensal (PIM-PF) da instituição e ressaltam quedas ocorridas no polo eletrônico e óptico (-27,9%), químico (-16,4%) e de duas rodas (-14,5%).
Um dos exemplos citados pelo IBGE, o polo de Duas Rodas realmente registrou queda entre maio e junho. Segundo os indicadores disponibilizados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), em maio foram produzidas mais de 203 mil motocicletas, enquanto em junho o número foi de 148,4 mil. Apesar disso, o consolidado do ano é positivo, com mais de 1,1 milhão de motos, motonetas e ciclomotos tendo sido produzidas no primeiro semestre, número 7,55% superior ao ano passado.
Para o IBGE, no entanto, o cenário da indústria local tem sinais de enfraquecimento, com uma queda na produção de 2,1% no acumulado dos últimos 12 meses, o mais baixo da série histórica. O cenário se repete a nível nacional, já que apenas três estados fecharam o mês de junho com saldo de produção positivo.
Dos 17 locais analisados pela pesquisa, 11 apresentaram retração, três ficaram estáveis e outros três avançaram. No topo do desempenho nacional, o Rio Grande do Sul liderou os ganhos com uma alta de 3,7% na comparação com o mês imediatamente anterior. A Bahia assumiu o segundo lugar com crescimento de 2,7%, seguida por Mato Grosso, que garantiu a terceira posição ao registrar expansão de 1,6%.
Na ponta inferior, São Paulo teve queda de 3,2%, Espírito Santo recuou 3,4% e o Amazonas ficou na última colocação, com retração de 11,3%. Embora tenha havido um disparo na produção de derivados do petróleo (145,3%), seis atividades industriais fecharam junho no negativo.
Balanço
Os dados mais recentes divulgados pela Suframa apontam para uma manutenção na produção do Polo Industrial de Manaus (PIM) no primeiro semestre, repetindo o padrão observado nos períodos anteriores. No topo das linhas de produção estão as motocicletas, com 1,1 milhão de unidades, e os telefones celulares, com 6,2 milhões.
A autarquia registrou ainda o crescimento na linha de produção de home theaters (30,7%), lâminas e cartuchos (28%) e microcomputadores de mesa (19,73%). No faturamento, o polo registrou R$ 121,7 milhões no primeiro semestre.
Metodologia
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, afirmou que a divergência entre os dados da Suframa e do IBGE decorre de “de distinções conceituais e metodológicas estruturais relativas ao escopo de suas amostras”. Enquanto a Suframa afere o desempenho das indústrias incentivadas e detentoras de projetos aprovados na Zona Franca de Manaus (ZFM), o IBGE avalia a indústria amazonense como um todo.
“Essa estrutura mais ampla do instituto engloba não apenas o Polo Industrial de Manaus, mas os setores não incentivados, a indústria extrativa, o segmento de óleo e gás, e os serviços de manutenção e reparação, utilizando ainda um Sistema de Ponderação que atribui pesos a esses subsetores com base em sua relevância nas Contas Nacionais, contrastando frontalmente com o recorte focado da Suframa”, destacou.
A assimetria na coleta dos dados, segundo ele, explica porque o indicador geral do estado pode sofrer retrações maiores, refletindo o peso de setores que respondem de maneira mais volátil aos “atuais gargalos macroeconômicos e logísticos”.
Crítica
A forma como o IBGE faz seus cálculos já foi alvo de críticas no Amazonas. No ano passado, o diretor-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL/Manaus), Ralph Assayag, criticou a metodologia da autarquia após uma pesquisa apontar uma queda de 0,3% no comércio amazonense em agosto de 2025 na comparação com julho.
O comerciante afirmou que a avaliação do IBGE era totalmente errada e haveria uma “fórmula burra que não dá para a gente tirar nada e muitas vezes atrapalha até o andamento das vendas futuras, porque quando a pessoa ver que está caindo, acaba não comprando e acaba não vendendo”.
O diretor elencou alguns erros que seriam cometidos pelo IBGE ao fazer a análise dos dados, como comparar meses que tem 30 dias e 31 dias, que possuem quatro ou cinco finais de semana ou que tenham ou não feriados ao longo do mês.
“Não dá, eles não têm noção de nada disso. É puro e grosso, então não tem motivo de a gente pegar essas informações”, completou.
