Baixa representatividade feminina nas candidaturas
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Embora as eleições de 2022 tenham registrado recordes históricos na eleição de mulheres, negros e indígenas, a sub-representação desses grupos em comparação com o perfil geral da população brasileira ainda permanece acentuada.
Atualmente, no Brasil, segundo dados da Justiça Eleitoral, a maior parte dos ocupantes de cargos legislativos é composta por homens, brancos, na faixa dos 50 anos, que atuam como empresários ou advogados.
Dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que apenas 17,7% das cadeiras na Câmara dos Deputados são ocupadas por mulheres, apesar de mais da metade da população ser do sexo feminino. Deputados federais negros são 26,3%. Já os indígenas ocupam menos de 1% das cadeiras, com apenas 5 parlamentares entre os 513.
É gritante a falta de representatividade nas Casas Legislativas brasileiras. O que também se repete nos Estados. No Mato Grosso, há apenas uma deputada entre os 24 parlamentares. Logo atrás vem Santa Catarina, com duas. Nesse aspecto, o Amazonas dá um bom exemplo ao Brasil, com seis deputadas na Assembleia Legislativa na atual legislatura.
E, pelo jeito, a baixa representatividade vai continuar nas casas legislativas pelo País. O TSE divulgou o perfil dos pré-candidatos que pediram registros de candidaturas para as próximas eleições. E para surpresa de ninguém, a maioria – 65% – são homens, e mais da metade são brancos.
As mulheres são 35%, mas isso provavelmente só ocorre porque a lei estabelece que cada partido político ou federação partidária deve preencher o mínimo de 30% de candidaturas femininas. Outros 13% se declararam negros, e 0,9%, indígenas.
Ou seja, a discrepância de representatividade já começa no perfil daqueles que se lançam como candidatos. Está claro que o Brasil precisa de mais candidaturas femininas, negras e indígenas.
O estabelecimento de cotas de gênero elevou o número de mulheres eleitas, mas de forma lenta e ainda muito desproporcional em relação ao número de candidaturas. Não são raros os casos de fraudes eleitorais, em que candidatas laranjas disputam apenas para que o partido cumpra a cota.
A questão é complexa e não deve ser enfrentada de cima para baixo. Educação e conscientização política nas escolas e comunidades são alguns caminhos.
