Estudante de Direito usa dinheiro da formatura em apostas online, e caso é investigado pela Polícia Civil
A estudante de Direito Cláudia Roberta Silva, responsável pela arrecadação financeira da formatura de sua turma, admitiu ter utilizado os R$ 77 mil destinados ao evento em apostas online, incluindo o jogo conhecido como “Jogo do Tigrinho”. O caso ocorreu em Chapecó (SC) e está sendo investigado pela Polícia Civil, que apura se houve apropriação indébita ou estelionato.
O advogado da estudante, Joel Sustakovski, afirmou que sua cliente pretende ressarcir os valores aos colegas e colaborar com as investigações. “Ela confessou que se apropriou dos valores e gastou integralmente em apostas online. Agora, todas as medidas judiciais estão sendo tomadas para tentar recuperar o dinheiro perdido”, declarou em nota.
Como o caso veio à tona
Os alunos do curso de Direito da Unidade Central de Educação Faem Faculdade (UCEFF) contribuíram por três anos para a realização da festa de formatura. O valor total arrecadado foi de R$ 78.992, sendo R$ 2 mil pagos à empresa organizadora no ato da contratação e os R$ 76.992 restantes deveriam ser quitados até dezembro de 2024.
No entanto, no final de janeiro deste ano, a empresa Nova Era Formaturas entrou em contato com os estudantes cobrando o pagamento, o que gerou estranhamento. Nicoli Bertoncelli Bison, uma das formandas, relatou que foi informada pela própria Cláudia sobre o desvio do dinheiro.
Em uma troca de mensagens pelo WhatsApp, a estudante confessou o ocorrido: “Eu perdi todo o dinheiro da formatura. Me viciei em apostas online, Tigrinho e afins, e quando perdi todo o dinheiro que eu tinha guardado, comecei a usar o da formatura para tentar recuperar. E aí, cada vez mais fui me afundando no jogo”, escreveu Cláudia.

Os colegas também notaram que a prestação de contas feita por Cláudia não incluía extratos bancários, apenas planilhas em Excel e documentos no Word, o que levantou suspeitas. Diante da confissão, os formandos registraram um boletim de ocorrência.
Investigação e tentativas de recuperação do dinheiro
A Polícia Civil trabalha com duas linhas de investigação: apropriação indébita ou estelionato. O delegado regional de Chapecó, Rodrigo Moura, informou que um pedido foi encaminhado à Justiça para rastrear os valores desviados e, se possível, recuperá-los. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) afirmou que não irá se manifestar enquanto o caso estiver em andamento.
A defesa de Cláudia sustenta que, além do dinheiro da formatura, a estudante também perdeu valores pessoais em apostas. O advogado Joel Sustakovski ressaltou que o caso serve como um alerta sobre os riscos das apostas online, que podem levar ao descontrole financeiro e emocional.
Empresa de formatura se posiciona
A Nova Era Formaturas, contratada para a organização do evento, afirmou que não teve nenhuma responsabilidade sobre a arrecadação e administração do dinheiro. “Os valores foram geridos exclusivamente pelos estudantes, sem qualquer interferência da nossa empresa”, esclareceu a empresa em nota.
Apesar disso, a Nova Era se colocou à disposição dos formandos para tentar viabilizar a festa de formatura e minimizar os impactos do ocorrido.
Mobilização dos estudantes
Diante da situação, os formandos decidiram organizar novas arrecadações para viabilizar a cerimônia em maio deste ano. Além de campanhas de financiamento coletivo (vaquinhas online), estão sendo planejados eventos para levantar fundos.
A expectativa dos alunos é que, com apoio da comunidade e possíveis medidas judiciais, o prejuízo possa ser minimizado e a tão sonhada formatura seja realizada. As informações foram apuradas pelo site Hugogloss.
