Brasil leva 14 atletas aos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 e aposta em nomes com chance de pódio
Os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026, que serão realizados em Milão e Cortina d’Ampezzo, na Itália, terão a maior delegação brasileira da história da competição. Ao todo, 14 atletas representarão o país em cinco modalidades: esqui alpino, esqui cross-country, snowboard, skeleton e bobsled. Entre estreantes e atletas experientes, o Brasil chega ao evento com expectativas reais de alcançar finais e, pela primeira vez, brigar por uma medalha olímpica de inverno.
A equipe brasileira é formada por Lucas Pinheiro Braathen, Christian Soevik, Giovanni Ongauro e Alice Padilha no esqui alpino; Eduarda Ribeira, Bruna Mota e Manex Silva no esqui cross-country; Pat Burgener e Agustinho Teixeira no snowboard; Nicole Silveira no skeleton; e Edson Bindilatti, Rafael Souza, Davidson de Souza, Luis Bacca e Gustavo Ferreira no bobsled.
Apesar de o país não possuir tradição em esportes de inverno, nem condições naturais para o treinamento dessas modalidades, os atletas brasileiros mantêm suas rotinas de preparação principalmente na Europa e na América do Norte. Esse cenário tem permitido avanços técnicos e resultados expressivos, especialmente em provas individuais.
Esqui alpino concentra principal chance de medalha
O esqui alpino aparece como a modalidade com maior potencial de pódio para o Brasil. O principal nome é Lucas Pinheiro Braathen, que passou a defender o país em 2024. Filho de mãe brasileira e pai norueguês, o atleta figura entre os melhores do mundo nas provas de slalom e slalom gigante, com pódios recentes em etapas da Copa do Mundo e posição de destaque no ranking da Federação Internacional de Esqui (FIS). O desempenho consistente o coloca como um dos candidatos a conquistar a primeira medalha olímpica de inverno da história do Brasil.
Completam a equipe Christian Soevik e Giovanni Ongauro, atletas com formação esportiva na Europa e foco em provas técnicas, além da jovem Alice Padilha, de 18 anos. A carioca faz sua estreia em Jogos Olímpicos de Inverno após participar dos Jogos da Juventude em 2024. Para o trio, o objetivo principal é ganhar experiência, avançar de fases e reduzir a diferença de tempo em relação aos principais nomes da modalidade.
Cross-country e snowboard buscam consolidação
No esqui cross-country, modalidade tradicionalmente dominada por países nórdicos, o Brasil será representado por Eduarda Ribeira, Bruna Mota e Manex Silva. As provas exigem alto nível de resistência física e, neste ciclo, o foco da equipe está em melhorar marcas pessoais e avançar em provas de sprint. Bruna Mota retorna ao cenário olímpico após ficar fora de Pequim 2022 devido a um acidente, enquanto Manex Silva concentra esforços nas provas masculinas de velocidade.
Já no snowboard, o destaque é Pat Burgener, atleta suíço naturalizado brasileiro, que disputa o halfpipe. Com histórico de finais olímpicas e pódios em Copas do Mundo, Burgener aparece como uma das principais apostas do país para chegar à final e, dependendo das condições, lutar por medalha. Ao lado dele está Agustinho Teixeira, jovem talento que vem de bons resultados em campeonatos mundiais e busca consolidar seu nome entre a elite da modalidade.
Nicole Silveira é destaque no skeleton
No skeleton, o Brasil será representado exclusivamente por Nicole Silveira, um dos nomes mais consistentes da delegação. A atleta, de 31 anos, migrou do bobsled para o skeleton em 2018 e desde então acumulou resultados expressivos, incluindo medalhas em etapas de Copa do Mundo e posições entre as dez melhores do ranking internacional. Pela característica da prova, decidida em centésimos de segundo, Nicole aparece como uma das brasileiras com chance concreta de disputar o pódio em Milão-Cortina.
Bobsled aposta em experiência e renovação
O bobsled será o único esporte coletivo do Brasil nos Jogos. A equipe competirá nas provas de duplas e quartetos, liderada por Edson Bindilatti, atleta com mais de 20 anos de trajetória na modalidade, e por Rafael Souza, em sua terceira Olimpíada. O grupo conta ainda com Davidson de Souza, Luis Bacca e Gustavo Ferreira, apontado como nome de renovação para os próximos ciclos.
Embora a disputa por medalhas seja considerada difícil diante da força de seleções tradicionais, a meta brasileira é alcançar posições entre os 10 e 12 melhores, o que representaria um resultado histórico para o país.
Expectativas e desafios
A delegação brasileira enfrenta desafios estruturais conhecidos, como a ausência de neve no território nacional e a necessidade de treinar quase integralmente no exterior. Ainda assim, os resultados recentes indicam um momento de crescimento e consolidação em modalidades específicas.
Com 14 atletas em ação, o Brasil chega a Milão-Cortina 2026 com o objetivo de ampliar sua presença em finais olímpicas e manter a evolução nos rankings internacionais. Lucas Pinheiro Braathen, Nicole Silveira e Pat Burgener despontam como os principais candidatos a um pódio inédito, enquanto a participação ampliada reforça o interesse do país pelos esportes de inverno e projeta novas gerações para o futuro.
