10 de julho de 2026

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Acidentes de trânsito mataram 44 pessoas em Manaus até março deste ano, aponta IMMU

O número representa um aumento de 37,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 32 mortes

Foto: Divulgação

Um relatório do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) aponta que 44 pessoas morreram em acidentes de trânsito em Manaus entre 1º de janeiro e 3 de março de 2026.

O número representa um aumento de 37,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registradas 32 mortes. Os dados foram compilados a partir de registros do Instituto Médico Legal (IML) e atualizados em 3 de março de 2026.

Distribuição mensal

O levantamento mostra que janeiro foi o mês com maior número de vítimas, com 21 mortes no trânsito. Em fevereiro foram registradas 20 mortes, enquanto março contabiliza três óbitos até o dia 3.

A distribuição mensal é a seguinte:

  • Janeiro: 21 mortes
  • Fevereiro: 20 mortes
  • Março: 3 mortes

Comparação com 2025

No mesmo período de 2025, entre janeiro e início de março, foram registradas 32 mortes, distribuídas da seguinte forma:

  • Janeiro: 15 mortes
  • Fevereiro: 14 mortes
  • Março: 3 mortes (considerando apenas o início do mês)

A comparação entre os períodos aponta aumento nas mortes nos dois primeiros meses do ano:

  • Janeiro: aumento de 40% (de 15 para 21 mortes)
  • Fevereiro: aumento de 42,86% (de 14 para 20 mortes)

Leia também: Homem morre e outro fica gravemente ferido após atropelamento no Tarumã; motorista foge

Histórico de mortes no trânsito

O relatório também apresenta o histórico recente do número total de vítimas fatais em Manaus entre 2016 e 2026:

  • 2016: 210 mortes
  • 2017: 224 mortes
  • 2018: 212 mortes
  • 2019: 215 mortes
  • 2020: 228 mortes
  • 2021: 219 mortes
  • 2022: 260 mortes
  • 2023: 254 mortes
  • 2024: 309 mortes (maior número da série recente)
  • 2025: 246 mortes
  • 2026: 44 mortes até 3 de março

De acordo com o levantamento, 2024 registrou o maior número de mortes da última década, com 309 mortes.

Média histórica mensal

O estudo também apresenta a média mensal de mortes no trânsito considerando o período de 2016 a 2026. A média aproximada de vítimas por mês na capital varia entre 17 e 23 mortes, dependendo do período analisado.

Tipos de acidentes

Entre janeiro e o início de março de 2026, os acidentes mais letais estão ligados a:

  • Colisão entre veículos: 15 mortes (aumento de 7,14%)
  • Atropelamento: 14 mortes (aumento de 40%)
  • Choque contra objeto fixo: 9 mortes (aumento de 80%)
  • Queda de veículo: 5 mortes (aumento de 66,67%)
  • Capotamento: 0 registros
  • Tombamento: 0 registros
  • Não identificado: 1 caso

No mesmo período de 2025 haviam sido registrados:

  • 10 atropelamentos
  • 14 colisões
  • 5 choques contra objetos
  • 3 quedas de veículos

Perfil das vítimas

O relatório também detalha o perfil das vítimas em 2026:

  • Motociclistas: 22 vítimas
  • Pedestres: 14 vítimas
  • Passageiros de veículos leves: 4 vítimas
  • Motoristas: 1 vítima
  • Ciclistas: 1 vítima
  • Não identificado: 2 casos

No mesmo período de 2025 haviam sido registrados:

  • 19 motociclistas mortos
  • 11 pedestres
  • 1 motorista
  • 1 passageiro de veículo leve

Vias com maior número de mortes

O relatório também identifica as vias onde ocorreram os acidentes fatais em 2026. A Avenida Brasil, no bairro Compensa, aparece como o local com maior número de registros, com quatro mortes, o equivalente a 10% do total.

Outras vias com duas mortes registradas incluem:

  • Avenida Constantino Nery
  • Avenida Cosme Ferreira
  • Avenida Efigênio Sales
  • Avenida Torquato Tapajós

Diversas outras avenidas e ruas registraram um caso cada, entre elas:

  • Avenida Abiurana
  • Avenida Alphaville
  • Avenida Autaz Mirim
  • Avenida Camapuã
  • Avenida Contorno Norte
  • Avenida Coronel Teixeira
  • Avenida Getúlio Vargas
  • Avenida Governador José Lindoso
  • Avenida Itaúba
  • Avenida Margarita
  • Avenida Mário Ypiranga
  • Avenida Max Teixeira
  • Avenida Nilton Lins
  • Avenida Rio Mar
  • Avenida Rodrigo Otávio
  • Avenida Umberto Calderaro

Mortes por zona da cidade

zona Leste de Manaus lidera o número de mortes em 2026, concentrando 14 mortes, o equivalente a 33,33% do total.

A distribuição por zona é:

  • Zona Leste: 14 mortes
  • Zona Centro-Sul: 12 mortes
  • Zona Norte: 6 mortes
  • Zona Oeste: 5 mortes
  • Zona Sul: 5 mortes
  • Zona Centro-Oeste: 0 mortes

Dois registros não tiveram a zona identificada.

Índice de mortes em relação à população

O relatório também analisa o índice de mortes considerando o tamanho da população de Manaus. Em 2026, com população estimada em 2.303.733 habitantes, o índice é de 1,91 morte a cada 100 mil habitantes, considerando os dados até o início de março.

Historicamente, o índice já foi maior:

  • 1999: 15,22 mortes por 100 mil habitantes
  • 2000: 17,34
  • 2006: 17,59
  • 2016: 10,03
  • 2022: 12,60
  • 2024: 14,97
  • 2025: 10,68

O IMMU destaca que os números são preliminares e podem sofrer alterações conforme novos registros de ocorrências sejam confirmados pelo Instituto Médico Legal (IML). O relatório foi elaborado pela Divisão de Gestão da Informação do Departamento de Educação de Trânsito e Estatística do órgão municipal.

Aumento das mortes no trânsito preocupa especialistas

De acordo com o especialista em trânsito Manoel Paiva, o cenário atual acende um alerta sobre a segurança viária na capital amazonense.

“O trânsito de Manaus não é apenas caótico, é letal e hostil. A cidade continua a apresentar riscos elevados para quem circula pelas vias, especialmente pedestres e motociclistas”, afirma.

Paiva destaca que as medidas para conter o aumento dos acidentes exigem presença constante de agentes de trânsito nos principais corredores viários, além de fiscalização mais intensa, inclusive remota, e ampliação de campanhas educativas voltadas a pedestres e condutores.

O especialista também aponta que os pedestres são os mais vulneráveis na hierarquia da mobilidade urbana e defende melhorias na infraestrutura, como construção, manutenção e ampliação de calçadas acessíveis.

“Adoção de campanhas voltadas a pedestres cadeirantes, pessoas com mobilidade reduzida, idosos, crianças e mulheres grávidas, com presença de orientadores do órgão municipal orientando, informando e protegendo esses usuários”, destaca.

Riscos aos motociclistas

Em relação aos motociclistas, Paiva ressalta que a infraestrutura viária precisa acompanhar o crescimento da frota de motos, que atualmente representam cerca de 34% dos veículos em Manaus.

“É necessário melhorar a infraestrutura para circulação desses veículos e implementar programas de requalificação e treinamento para profissionais que atuam no transporte de cargas e passageiros”, afirma.

O especialista também alerta que o início do ano, o retorno das férias escolares, o período de chuvas e os alagamentos em bairros e vias movimentadas contribuem para o aumento de acidentes.

“O estado de conservação de muitas vias dificulta a trafegabilidade. Além disso, o aumento do número de veículos individuais, como motocicletas e automóveis, eleva a probabilidade de acidentes, já que apenas cerca de 45% da população utiliza o transporte coletivo para seus deslocamentos”, conclui.

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