Abril Verde: A importância da saúde mental na prevenção de acidentes de trabalho
Foto: Portal - Folha Amazônica
Durante o mês de abril, órgãos públicos, instituições e empresas promovem a Campanha Abril Verde, voltada à conscientização sobre a importância da prevenção de acidentes e doenças no ambiente de trabalho. A escolha do mês está relacionada ao dia 28 de abril, data em que se é celebrado o Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças Relacionadas ao Trabalho. A campanha reforça neste mês a necessidade de prevenir não apenas acidentes físicos, mas também os impactos relacionados à saúde mental dos trabalhadores.
Em 2003, a data foi reconhecida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, dedicada à reflexão, à denúncia e à conscientização da sociedade sobre os riscos laborais e a importância de garantir condições de trabalho seguras, que não levem ao adoecimento ou à morte. No Brasil, a data foi oficialmente instituída em 25 de maio de 2005, por meio da Lei nº 11.121, como o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, a ser celebrado anualmente em 28 de abril.
De acordo com dados do Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou cerca de quatro milhões de afastamentos do trabalho por motivo de doença em 2025, o maior número dos últimos cinco anos. Um levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego aponta que, no mesmo período, o país contabilizou 380.376 acidentes de trabalho e 1.689 mortes apenas no primeiro semestre, o que representa um aumento em relação ao ano anterior. Cada vez mais presente no debate público, o bem-estar psicológico tem sido apontado como fator determinante para a segurança no ambiente laboral. Segundo a neuropsicóloga, Julyanne Ferreira, existe uma relação direta entre saúde mental e a ocorrência de acidentes de trabalho.
“A saúde mental interfere diretamente em funções cognitivas essenciais para a segurança, como atenção, memória, tempo de reação e tomada de decisão. Trabalhadores sob estresse crônico, ansiedade ou depressão tendem a apresentar mais distrações, fadiga e dificuldade de julgamento, o que aumenta significativamente o risco de acidentes”, explica. Ela também destaca que o impacto pode ocorrer no sentido inverso: “Sofrer um acidente de trabalho pode gerar consequências emocionais importantes, como medo, insegurança e até quadros de depressão ou estresse pós-traumático”, destacou.
De acordo com a especialista, o ambiente profissional pode atuar tanto como fator de proteção quanto de adoecimento. Situações como sobrecarga de trabalho, metas excessivas, falta de reconhecimento e relações interpessoais tóxicas contribuem para o desenvolvimento de transtornos como ansiedade, depressão e a síndrome de Burnout.
Nesse contexto, as empresas têm papel fundamental na promoção de ambientes mais saudáveis. “Hoje, há uma responsabilidade maior das organizações em identificar e gerenciar riscos psicossociais. Não se trata apenas de uma boa prática, mas de uma exigência. Na prática, as empresas devem investir em prevenção, como avaliar cargo de trabalho, clima organizacional e riscos de assédio. Promovendo assim, uma cultura de cuidado, com lideranças capacitadas e comunicação aberta”, afirma a especialista, ao citar a necessidade de investimento em ações preventivas, como capacitação de lideranças e oferta de suporte psicológico.
Além das medidas institucionais, a neuropsicóloga ressalta que os próprios trabalhadores também podem adotar práticas para preservar a saúde mental no dia a dia. “Reconhecer limites, manter pausas regulares, cuidar do sono, praticar atividades físicas e buscar apoio profissional quando necessário são atitudes essenciais para o bem-estar. Cuidar da saúde mental é uma necessidade básica e também uma forma de proteger a própria segurança e qualidade de vida no trabalho”, orienta.

O Abril Verde, portanto, amplia o debate sobre segurança no trabalho ao evidenciar que a prevenção vai além dos riscos físicos, incluindo também o cuidado com a saúde mental. A campanha reforça que ambientes laborais mais seguros e saudáveis dependem de um compromisso coletivo entre empresas, trabalhadores e poder público, com foco na valorização da vida e na promoção do bem-estar.
Por: Camili Vitória.
