Sindicato cobra liquidante e acompanha pagamento de funcionários após liquidação do Will Bank
Após o Banco Central (BC) decretar a liquidação extrajudicial do Will Bank na última quarta-feira (21), o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região informou que iniciou um monitoramento intensivo para garantir o pagamento das verbas rescisórias e o cumprimento dos direitos trabalhistas dos funcionários afetados.
A decisão do BC atingiu a Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master, instituição que também entrou em processo de liquidação e é alvo de investigação da Polícia Federal (PF). Com a medida, as atividades da financeira foram interrompidas imediatamente, houve o afastamento dos administradores e a nomeação de um liquidante, responsável por apurar ativos e passivos, investigar possíveis irregularidades e conduzir o pagamento de credores conforme a legislação.
Posição do sindicato
Em nota, o Sindicato dos Bancários relatou que funcionários do Will Bank informaram a perda imediata de acesso aos sistemas internos da instituição após o anúncio da liquidação.
Segundo a entidade, já estão em curso tentativas de contato com o liquidante nomeado pelo Banco Central. “O objetivo é assegurar que o processo de encerramento não resulte em prejuízos aos bancários e que todas as verbas rescisórias e direitos previstos na Convenção Coletiva de Trabalho sejam respeitados”, afirmou o sindicato.
Dados do próprio BC, referentes a outubro de 2025, indicam que o Will Bank contava com mais de 700 funcionários ativos apenas na financeira. Para a presidente do sindicato, Neiva Ribeiro, a situação gera preocupação tanto para trabalhadores quanto para clientes.
“É uma notícia extremamente negativa para os empregados e causa grande apreensão entre os clientes. O caso reforça a necessidade de regras mais rígidas e de maior regulação do sistema financeiro, especialmente no segmento digital”, afirmou.
O sindicato também disponibilizou, em seu site, um canal para que funcionários do Will Bank encaminhem dúvidas ou denúncias relacionadas ao processo de liquidação.
O que diz o Banco Central
Em nota divulgada na semana passada, o Banco Central informou que a Will Financeira era gerida pelo Banco Master Múltiplo S/A, que opera sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, em 18 de novembro de 2025.
De acordo com o BC, o conglomerado Master era classificado como de porte pequeno, enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, e detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
A autoridade monetária explicou que, inicialmente, a imposição do RAET buscava preservar o funcionamento da Will Financeira. No entanto, a solução não se mostrou viável após o descumprimento da grade de pagamentos junto ao arranjo de pagamentos da Mastercard, ocorrido em 19 de janeiro de 2026, o que resultou no bloqueio da participação da instituição nesse sistema.
Diante do comprometimento da situação financeira, o BC considerou inevitável a liquidação da Will Financeira. O órgão ressaltou ainda que continuará apurando responsabilidades, podendo aplicar sanções administrativas e comunicar o caso às autoridades competentes. Conforme a legislação, os bens dos controladores e ex-administradores da instituição ficaram indisponíveis.
Impacto no Fundo Garantidor de Créditos
Segundo informações do portal Metrópoles, o valor necessário para honrar garantias do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) desde novembro de 2025 pode se aproximar de R$ 50 bilhões. O montante envolve ressarcimentos a clientes do Banco Master e da Will Financeira.
O FGC funciona como um mecanismo de proteção a depositantes e investidores do Sistema Financeiro Nacional em casos de liquidação, com cobertura de até R$ 250 mil por CPF e por instituição, limitada a R$ 1 milhão por CPF em um período de quatro anos.
De acordo com dados do FGC, o valor estimado para pagamento relacionado à Will Financeira é de aproximadamente R$ 6,3 bilhões, enquanto a garantia referente ao Banco Master pode alcançar R$ 40,6 bilhões, totalizando cerca de R$ 46,9 bilhões — quase 30% dos recursos disponíveis no fundo.
O valor definitivo a ser ressarcido só será conhecido após a consolidação das informações pelo liquidante nomeado pelo Banco Central.
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