13 de maio de 2026

Folha Amazônica

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Pesquisadores encontram vestígios históricos da ocupação humana na Amazônia durante expedição no AM

Projeto pretende integrar dados ambientais, arqueológicos e socioculturais para subsidiar estratégias de conservação da floresta e valorização do patrimônio histórico.

Foto: Divulgação

Um grupo de pesquisadores encontrou cinquenta sítios arqueológicos durante uma expedição científica no oeste do Amazonas, ao longo do Rio Japurá, próximo à fronteira com a Colômbia. Os achados revelam vestígios da ocupação humana na Amazônia e, para os arqueólogos, funcionam como uma ‘linha do tempo’ da história amazônica. 

Entre 9 de fevereiro e 2 de março, pesquisadores do Instituto Mamirauá percorreram 200 km do Alto Japurá. Eles registraram gravuras rupestres, cerâmicas antigas, terra preta, fontes de matérias-primas e até objetos ligados ao Ciclo da Borracha. 

➡️ O Ciclo da Borracha foi um momento econômico na história do Brasil relacionado com a extração e comercialização da borracha. O seu auge ocorre entre 1879 a 1912, tendo depois experimentado uma sobrevida entre 1942 e 1945 durante a II Guerra Mundial (1939-1945). Durante este período, cerca de 50% do Produto Interno Bruto do Amazonas era resultado da extração e comercialização da borracha.

O trabalho faz parte de uma ação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. A ideia é reunir dados ambientais, arqueológicos e socioculturais para orientar políticas de conservação da floresta e valorização do patrimônio histórico.

“A identificação dos sítios e dessas informações históricas ajuda a pensar políticas públicas e estratégias de proteção para essas áreas de floresta que ainda não têm destinação definida”, afirmou o arqueólogo Márcio Amaral, do Instituto Mamirauá.

Um relatório será entregue ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Os primeiros resultados já foram apresentados em uma oficina em Manaus, nos dias 19 e 20 de março.

Foto: Divulgação

Comunidades como protagonistas

Segundo o instituto, indígenas e ribeirinhos tiveram papel fundamental na expedição, conduzindo os pesquisadores até os sítios e compartilhando relatos sobre a ocupação da região. Segundo Amaral, essas populações são protagonistas na preservação da memória: 

“Eles carregam relatos e conhecimentos que contribuem para a pesquisa. Nós somos como pontes, enquanto eles são as principais fontes desses espaços.”

Além do Instituto Mamirauá e do MMA, participam da iniciativa o Field Museum of Natural History (Chicago), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e a Amazon Conservation Team (ACT).

Foto: Divulgação

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