24 de agosto de 2026

Folha Amazônica

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Indígenas Munduruku bloqueiam acesso à Blue Zone da COP 30 em protesto contra decreto federal

Representantes do povo Munduruku, organizados pelo Movimento Ipereg Ayu, bloquearam na manhã desta sexta-feira (14) o principal acesso à Blue Zone da COP 30, em Belém. A ação fez com que participantes e delegados utilizassem uma entrada alternativa, usualmente destinada à saída do evento. A segurança foi reforçada pelas Forças Armadas.

Diante do bloqueio, lideranças indígenas foram encaminhadas para uma reunião com o presidente da Conferência, André Corrêa do Lago, e com a ministra dos Povos Indígenas. O grupo exige uma audiência urgente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a revogação do Decreto nº 12.600/2025.

O decreto institui o Plano Nacional de Hidrovias e define os rios Tapajós, Madeira e Tocantins como corredores prioritários para o transporte de cargas — medida que, segundo os Munduruku, pode abrir caminho para novas dragagens, destruição de pedrais sagrados e expansão acelerada de portos privados. As lideranças afirmam que os impactos ambientais e sociais seriam “irreversíveis”.

A manifestação, realizada nas imediações do centro de convenções onde ocorre a COP, denuncia o avanço de projetos federais de infraestrutura que afetam territórios Munduruku e outras populações das bacias do Tapajós e do Xingu. O movimento critica a falta de consulta prévia, livre e informada, garantida pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em nota, o Movimento Munduruku Ipereg Ayu também declarou oposição a iniciativas de crédito de carbono e a programas jurisdicionais de REDD+ discutidos na conferência e em negociações do governo. Para as lideranças, esses mecanismos representam uma “venda da floresta”, pois retirariam autonomia dos povos indígenas e abririam espaço para a atuação de empresas e intermediários em suas terras. Além disso, argumentam que tais propostas não enfrentam as causas estruturais da crise climática, como o desmatamento industrial, o garimpo ilegal, a expansão das hidrovias e o avanço da monocultura da soja.

Foto: Lucas Trevisan / TV Liberal

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