24 de agosto de 2026

Folha Amazônica

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Governo Federal reforça atendimento a crianças com suspeita de coqueluche no território Yanomami

O Ministério da Saúde enviou, de forma emergencial, na segunda-feira (16/2), uma equipe composta por médico, enfermeiro, técnico de enfermagem e socorrista para reforçar o atendimento no polo base de Surucucu, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. Os profissionais foram acompanhados por especialistas do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS, com experiência na contenção de surtos e no monitoramento de doenças infecciosas.

O Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami confirmou oito casos de coqueluche na região, com três óbitos. As mortes seguem sob investigação. As demais crianças diagnosticadas foram encaminhadas para hospitais em Boa Vista (RR); duas já receberam alta e retornaram às aldeias. Todos os casos suspeitos e seus contatos estão em tratamento e sob acompanhamento das equipes de saúde.

Esse reforço se soma aos profissionais que já atuam em Surucucu, realizando busca ativa por novos casos, coleta de material para análises clínicas e intensificação da vacinação nas aldeias adjacentes. Atualmente, cerca de 50 profissionais trabalham no território na prevenção e assistência direta às comunidades.

Avanço na cobertura vacinal

Dados do DSEI Yanomami apontam evolução significativa no Esquema Vacinal Completo (EVC). Entre crianças menores de um ano, a cobertura passou de 29,8% em 2022 para 57,8% em 2025. Já entre crianças menores de cinco anos, o índice subiu de 52,9% para 73,5% no mesmo período.

O EVC mede a proporção de pessoas com todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação para cada faixa etária.

O secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, destacou que o aumento da força de trabalho foi fundamental para reduzir vazios assistenciais. Em 2023, o DSEI contava com 690 profissionais contratados. Desde então, foram incorporados mais 1.165 trabalhadores — crescimento de 169%.

“Mais profissionais de saúde mobilizados no distrito garantem a cobertura do atendimento diretamente nas aldeias e a ação rápida em situações como essas. Hoje, além das vacinas, podemos realizar testes e exames diretamente nos Polos Base”, afirmou.

Centro de Referência fortalece assistência

Em setembro de 2025, entrou em funcionamento o primeiro Centro de Referência em Saúde Indígena do país, o Centro de Referência em Saúde Indígena Xapori Yanomami, no território Yanomami. A unidade recebeu investimento federal de cerca de R$ 29 milhões para ampliar a capacidade de atendimento de casos graves, oferecer suporte a urgências e emergências e reduzir a necessidade de remoções para centros urbanos.

A construção contou com apoio da Central Única das Favelas e da ONG alemã Target Reudiger Nehberg.

Cerca de 10 mil indígenas de 60 comunidades são beneficiados diretamente pela estrutura, que respeita as especificidades culturais e epidemiológicas do povo Yanomami e conta com equipes de saúde, logística e infraestrutura dedicadas ao atendimento no território.

Fotos: Divulgação

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