14 de outubro de 2026

Folha Amazônica

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Fumaça persiste em Manaus há uma semana; aulas são suspensas novamente

Pelo sétimo dia consecutivo, a capital registra a pior qualidade do ar do Brasil, segundo a plataforma internacional IQAir. Por volta das 8h, o índice chegou a 132, classificado como "não saudável para grupos sensíveis".

Foto: Divulgação

A fumaça provocada pelas queimadas continua encobrindo Manaus há uma semana e mantém a qualidade do ar prejudicada nesta quarta-feira (14). A situação levou à suspensão das aulas presenciais na rede municipal de ensino, em unidades da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e no campus Manaus Zona Leste do Instituto Federal do Amazonas (Ifam). 

Pelo sétimo dia consecutivo, a capital registra a pior qualidade do ar do Brasil, segundo a plataforma internacional IQAir. Por volta das 8h, o índice chegou a 132, classificado como “não saudável para grupos sensíveis”. 

Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), também apontaram índices preocupantes na capital. A qualidade do ar variava entre as categorias “ruim” e “péssimo“.

O pior registro foi no bairro Morro da Liberdade, onde a concentração de partículas chegou a 165,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³). 

A qualidade do ar é considerada boa pelo Selva quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³. Acima desse nível, os índices passam por classificações que variam de moderada a péssimo, conforme a escala utilizada pelo Sistema Selva. 

Na terça-feira (13), a qualidade do ar havia melhorado levemente após chuvas atingirem bairros das zonas Oeste e Centro-Oeste durante a madrugada. Mesmo assim, Manaus continuou no topo do ranking nacional de poluição. 

Fumaça suspende aulas na rede municipal, na UEA e no Ifam

A Prefeitura de Manaus suspendeu novamente as aulas presenciais na rede municipal nesta quarta-feira (14), devido à manutenção dos índices críticos de qualidade do ar na capital e seguindo as orientações dos órgãos competentes. A nova suspensão tem como objetivo proteger a saúde de estudantes e profissionais da educação. 

Nesta última terça-feira (13), a Secretaria Municipal de Educação (Semed) havia informado que as atividades seriam retomadas nesta quarta-feira. 

Segundo a prefeitura, a fumaça que atinge a capital nas últimas semanas é proveniente de queimadas em municípios do interior do Amazonas, principalmente nas regiões Leste e Metropolitana, além de outros estados.

Além da rede municipal, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Federal do Amazonas (Ifam) também suspenderam as atividades presenciais nesta quarta-feira (14) em unidades de Manaus, devido à piora na qualidade do ar. 

A UEA suspendeu as aulas e as demais atividades acadêmicas presenciais em suas unidades na capital, em todos os turnos. As atividades administrativas da instituição serão realizadas remotamente. 

Já no Ifam, a suspensão vale para as atividades acadêmicas e administrativas presenciais do Campus Manaus Zona Leste. Segundo a direção da unidade, a decisão foi tomada com base nos dados de qualidade do ar e em um parecer técnico de avaliação de risco. As atividades deverão ser realizadas de forma não presencial. 

Fumaça suspende atividades esportivas ao ar livre em Manaus

A fumaça que encobre Manaus também levou à suspensão temporária de atividades esportivas ao ar livre na Vila Olímpica. A medida foi anunciada pela Secretaria de Estado do Desporto e Lazer (Sedel) para preservar a saúde dos participantes diante da piora na qualidade do ar. 

Foram suspensas as atividades do Vila Aberta para Todos, + RespirAR, + Futevôlei, do Programa Esporte e Lazer na Capital e Interior (+Pelci), além das aulas de corrida e natação para adultos. A suspensão é temporária e vale para as atividades realizadas ao ar livre na capital.

Qualidade do ar piora na Região Metropolitana 

Outros municípios da Região Metropolitana de Manaus também registraram altos índices de poluição nesta quarta-feira (14), segundo o Selva. 

Em Manaquiri, a concentração de partículas chegou a 284,3 µg/m³, o pior resultado entre os municípios citados. 

Já em Maués, o índice foi de 215 µg/m³, classificado como “péssimo”. No município de Autazes, o sensor registrou 176,7 µg/m³, enquanto em Urucurituba o valor chegou a 157,9 µg/m³.

Amazonas registra 1,6 mil incêndios 

A persistência da fumaça ocorre em meio ao aumento dos focos de incêndio no Amazonas. Nos primeiros 14 dias de outubro, o estado registrou cerca de 1,6 mil focos, um aumento superior a 270% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 473 registros. 

Os dados são do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). 

Ibama intensifica combate às queimadas no Amazonas

Diante do avanço das queimadas, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que notificou previamente 725 propriedades rurais sobre o alto risco de propagação do fogo. Equipes realizam vistorias para verificar se as medidas de prevenção foram cumpridas. Parte dos responsáveis já foi autuada por descumprimento das determinações. 

A força-tarefa federal concentra ações em municípios como Autazes, Careiro da Várzea, Parintins e Itacoatiara, apontados como áreas críticas. Segundo os órgãos envolvidos, as queimadas nessas regiões contribuem para a fumaça que afeta a população de Manaus. 

Na terça-feira (13), o Ibama informou que havia extinguido 292 incêndios no Amazonas entre junho e outubro e que suas equipes continuavam combatendo outros oito focos ativos. Para reforçar a operação, foram mobilizadas 11 aeronaves, entre aviões de combate ao fogo, helicópteros e aeronaves de apoio logístico.

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