Ex-delegado-geral da Polícia Civil de SP, Ruy Ferraz Fontes, é executado com mais de 20 tiros em Praia Grande
O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, de 63 anos, foi executado a tiros nesta segunda-feira (15), em uma emboscada violenta na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, em Praia Grande, no litoral paulista. Fontes, que atualmente ocupava o cargo de secretário de Administração da Prefeitura local, foi alvejado com mais de 20 disparos de fuzil após ser perseguido em alta velocidade por criminosos em uma SUV.

Durante a perseguição, o carro de Fontes colidiu com um ônibus e capotou. Os criminosos, que agiram com tática militar e aparente conhecimento prévio da rotina da vítima, realizaram a execução no interior do veículo capotado. Testemunhas relataram que um dos três homens ficou de contenção enquanto os demais efetuavam os disparos. O carro utilizado na fuga foi posteriormente incendiado, numa tentativa de eliminar vestígios.
Fontes era um dos nomes mais conhecidos no combate ao crime organizado em São Paulo, tendo liderado ações históricas contra a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Em 2006, ele foi o responsável pelo indiciamento da cúpula do grupo, incluindo o líder Marcola, o que o tornou jurado de morte pela facção.
A Polícia Civil, com apoio do DEIC, DHPP, Gaeco, Polícia Federal e Ministério Público, montou uma força-tarefa com mais de 100 policiais das unidades ROTA e GARRA para investigar o caso. A principal linha de investigação considera a hipótese de vingança por parte do crime organizado, mas outras motivações, incluindo possíveis conflitos ligados ao atual cargo na Prefeitura, também estão sendo apuradas.
Histórico de ameaças e tentativa de assalto
Este não foi o primeiro episódio violento envolvendo Fontes. Em dezembro de 2023, o ex-delegado e sua esposa foram vítimas de um assalto à mão armada no estacionamento de sua residência, também em Praia Grande. Na ocasião, criminosos roubaram uma motocicleta de luxo avaliada em R$ 60 mil, além de joias, cartões e celulares. Os assaltantes foram presos em flagrante e os bens recuperados, mas o episódio deixou Fontes visivelmente abalado.
“Eu combati esses caras durante tantos anos e agora os bandidos sabem onde moro”, declarou ele após o assalto. O medo gerado pelo crime e a exposição pública do caso levaram sua família a sugerir que ele deixasse o emprego e a cidade.
A Prefeitura de Praia Grande emitiu nota oficial lamentando a morte de seu secretário. O atual delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, deslocou-se imediatamente ao local do crime para acompanhar as investigações.
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