14 de outubro de 2026

Folha Amazônica

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Discurso de Saullo sobre dinheiro público contrasta com histórico de investigações

Deputado afirmou que recursos investigados pela Polícia Federal pertencem à população. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, parlamentar foi preso temporariamente e posteriormente alvo de outras operações.

Manaus (AM) — O deputado federal Saullo Vianna (MDB) voltou a cobrar responsabilidade na utilização de recursos públicos ao comentar, durante uma agenda política em Itacoatiara, uma operação da Polícia Federal realizada no Amazonas.

Ao falar sobre a investigação, o parlamentar afirmou que os valores apreendidos e investigados representam recursos da população.

“Essa operação da Polícia Federal que aconteceu essa semana, que afastou o prefeito, que envolveu o deputado federal, que mandou um milhão em dinheiro pra Brasília, com três empresários, é o teu dinheiro que tá lá. É o dinheiro do povo que tá fatiado que tá lá”, declarou.

A manifestação ocorre em um contexto no qual o próprio parlamentar já esteve envolvido em diferentes investigações e operações policiais. Os episódios tiveram naturezas e desfechos distintos e, nos casos citados, não resultaram em condenação criminal de Saullo.

Prisão pela Polícia Federal em 2018

Em dezembro de 2018, poucos meses após assumir o mandato de deputado estadual, Saullo Vianna foi preso temporariamente pela Polícia Federal durante uma investigação relacionada às eleições daquele ano.

Segundo registros da época, a apuração envolvia suspeitas de corrupção ativa e passiva, associação criminosa e violação de sigilo funcional. Saullo permaneceu preso por cinco dias.

O caso, entretanto, teve posteriormente um desdobramento judicial relevante. Em 2019, a Justiça Eleitoral anulou as provas obtidas a partir de medidas autorizadas pela Justiça Federal e determinou o arquivamento dos inquéritos, sob o entendimento de que o juízo que havia autorizado as diligências não tinha competência para conduzir aquela investigação.

Em agosto de 2026, o TRE-AM manteve a decisão que anulou as provas e determinou o trancamento da investigação relacionada ao episódio de 2018.

Operação Ponto de Parada

Em novembro de 2020, o nome de Saullo voltou a aparecer em uma investigação da Polícia Federal. Na Operação Ponto de Parada, que apurava suspeitas de irregularidades em uma licitação para transporte escolar em Presidente Figueiredo, o então deputado estadual foi alvo de mandado de busca e apreensão.

Ser alvo de investigação ou de uma medida judicial, contudo, não significa condenação. As acusações e suspeitas precisam ser analisadas dentro dos respectivos processos.

Operação Cachoeira Limpa

Em fevereiro de 2021, Saullo foi novamente alvo de uma operação, desta vez realizada pelo Ministério Público do Amazonas.

A Operação Cachoeira Limpa investigava possíveis crimes de fraude em licitações, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionados a contratos públicos em Presidente Figueiredo. Segundo o MP-AM, o possível prejuízo aos cofres municipais era estimado em R$ 23 milhões.

O deputado esteve entre os alvos de mandados de busca e apreensão. O Ministério Público chegou a requerer sua prisão e o afastamento do cargo, mas os pedidos não foram deferidos pela Justiça.

O discurso atual diante do histórico

A declaração feita agora por Saullo sobre recursos públicos ocorre, portanto, enquanto o parlamentar carrega um histórico de diferentes episódios envolvendo investigações policiais e judiciais.

Em 2018, houve prisão temporária pela Polícia Federal, seguida de anulação das provas e arquivamento das investigações. Em 2020, ele foi alvo de busca e apreensão na Operação Ponto de Parada, enquanto seu pai foi preso temporariamente. No ano seguinte, Saullo voltou a ser alvo de busca e apreensão na Operação Cachoeira Limpa, do Ministério Público do Amazonas.

Os episódios possuem contextos e desfechos diferentes e não equivalem, por si só, a condenação criminal.

O histórico, no entanto, ajuda a contextualizar a fala do deputado sobre operações policiais, investigações e responsabilidade na utilização do dinheiro público.

Ao afirmar que os recursos investigados pertencem à população, Saullo coloca novamente no centro do debate a fiscalização do dinheiro público, tema que também já esteve relacionado a investigações envolvendo sua trajetória política.

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