Dia Mundial do Café: quais as diferenças entre café extraforte, tradicional, gourmet, Superior e especial
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O café é uma das bebidas mais apreciadas do Brasil, com diferentes aromas e sabores. Ele é tão especial que existem várias datas para celebrá-lo. No dia 14 de abril, é comemorado o Dia Mundial do Café. Além dela, existem outras datas, como o Dia Internacional do Café, celebrado em 1° de outubro após iniciativa criada pela Organização Internacional do Café (OIC). Cada país tem sua data nacional para comemorar.
A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) criou, em 2005, o Dia Nacional do Café, celebrado em 24 de maio. A data marca o início da colheita em diversas regiões produtoras.
Você sabe o que define as características e qualidades da bebida?
De maneira geral, o café é classificado em quatro grupos: tradicional, extraforte, gourmet e especial, de acordo com o local de cultivo, o processo de torra e a quantidade de impurezas presentes.
Outro ponto que gera debate entre os apreciadores é a escolha do café com ou sem açúcar. Enquanto o açúcar pode suavizar o amargor de cafés mais intensos, o consumo puro permite sentir todas as notas sensoriais e a doçura natural dos grãos de maior qualidade.
Essas características influenciam no sabor, aroma e nível de doçura ou amargura da bebida. Há uma ampla variedade de cafés no Brasil e cada tipo também mantém uma relação diferente com o açúcar. Espalhadas por diversos Estados, as lavouras ocupam o quarto lugar entre todos os campos agrícolas. O país é o maior produtor do café do mundo e lidera o ranking de exportações dos diferentes tipos de grãos, conforme o Ministério da Agricultura e Pecuária.
Duas entidades testam a qualidade dos grãos brasileiros. A ABIC avalia o produto final em todas as categorias, inclusive, o Superior, enquanto que a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) somente a matéria prima, ou seja, o grão verde do tipo especial.
Qual a diferença entre café extraforte, tradicional, gourmet, Superior e especial
Cada tipo de café apresenta um conjunto de características únicas, ligadas ao seu processo de produção. As bebidas extraforte e tradicional costumam ser mais amargas, enquanto as especiais e gourmet têm sabor mais frutado e adocicado.
Para a ABIC, a classificação do tipo de café ocorre a partir de uma análise sensorial da qualidade do grão torrado, em uma escala de 0 a 10 em que produtos com nota abaixo de 4,5 não são recomendados. Os itens avaliados pela ABIC são:
- Acidez (frescor aromático da bebida)
- Doçura
- Amargor
- Intensidade (nível de sabor da bebida, quanto mais próxima de 10, maior)
- Adstringência (nível de “secura” ao beber o café)
Café extraforte
O extraforte é um dos cafés mais consumidos no Brasil. Habitualmente seus grãos são “defeituosos” e submetidos a um processo de torra maior para “limpar” as impurezas presentes, o que resulta em um sabor mais amargo e com leve aroma de tostado.
Conforme o selo ABIC, é uma bebida com baixos níveis de doçura e acidez, com ponto de torra mais escuro.
- Doçura: baixa a muito baixa
- Acidez: baixa a muito baixa
- Amargor: de moderado a alto
- Adstringência: de moderado a alto
- Intensidade: alta
Café tradicional
O tradicional tem sabor semelhante ao extraforte e também é um dos mais populares no Brasil. A principal diferença é o nível de cafeína presente, que é mais baixo com relação ao extraforte porque há um processo de torra menos intenso.
Conforme o selo ABIC, é uma bebida com ponto de torra entre média e clara;
- Doçura: baixa a muito baixa
- Acidez: baixa a muito baixa
- Amargor: de moderado a alto
- Adstringência: de moderado a alto
- Intensidade: alta
Café gourmet
Caracteriza-se por ser uma bebida mais adocicada e frutada. Seus grãos são selecionados, apresentam baixos níveis de impureza e passam menos tempo no processo de torra.
Conforme o selo ABIC, o café gourmet é suave, de intensidade alta, que apresenta acidez marcante. Seus aromas remetem ao caramelo, amêndoas e chocolate.
- Doçura: moderada a alta
- Acidez: moderada a alta
- Amargor: baixo
- Adstringência: baixa
- Intensidade: alta
Café Superior
É um café que se destaca pelo seu equilíbrio e perfil sensorial. A seleção de grãos é superior à dos tipos tradicionais, resultando em uma bebida com menos impurezas e um sabor mais limpo. É uma categoria que oferece um balanço entre a força desejada por muitos consumidores brasileiros e a complexidade de aromas e sabores.
As notas descritivas que podem estar presentes incluem amadeirado (cedro ou carvalho), amendoado (ou castanhas), caramelizado (caramelo ou doce), chocolate (ou cacau), frutado e tostado/torrado, com intensidade de moderada a muito forte. Também pode apresentar notas de cereal e mel, com intensidade fraca a moderada. É fundamental a ausência de notas animais (curral) e de borracha.
- Doçura: moderada
- Acidez: moderada
- Amargor: moderado
- Adstringência: baixa a moderada
- Intensidade: média a alta
Café especial
Habitualmente é o tipo de café que apresenta as menores taxas de impurezas em sua composição, devido aos grãos extremamente selecionados e colhidos no momento ideal. Seu sabor é mais doce, com acidez moderada e pouco amargor.
Conforme o selo ABIC, oferece uma experiência sensorial completa ao consumidor. Possui aromas intensos e perceptíveis, com intensidade alta e sabores que remetem a florais, frutados e baunilha.
- Doçura: de alta a muito alta
- Acidez: de alta a muito alta
- Amargor: baixo a muito baixo
- Adstringência: baixa a muito baixa
- Intensidade: alta
Quanto mais torrado o grão for, mais propriedades aromáticas, frutadas e açúcar ele irá perder, o que agrega um sabor intenso e amargo. Por outro lado, grãos menos torrados resguardam as características do local onde foram cultivados.
— Torras claras vão preservar os compostos naturais do café, destacando uma alta acidez, doçura e trazendo notas frutadas e florais para as bebidas. Já cafés com torras escuras passam por uma maior degradação dos açúcares e ácidos naturais do grão, trazendo uma acidez menor, uma doçura menor e destacando o amargor — destaca Aline Marotti, coordenadora de Certificações e Qualidade da ABIC.
Para Aline, o processo da torra interfere diretamente no resultado final que vai para o consumidor.
— O mesmo café com perfis diferentes de torra traz perfis sensoriais diferentes na xícara do consumidor — ressalta.
