24 de agosto de 2026

Folha Amazônica

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Brasil lança iniciativa global para recuperar áreas agrícolas degradadas durante a COP30

Projeto RAIZ reúne dez países e mira restauração de terras, segurança alimentar e agricultura resiliente

O Brasil lançou oficialmente, nesta quarta-feira (19), durante a COP30, em Belém (PA), o Plano de Investimentos em Agricultura Resiliente para Degradação Zero de Terras — conhecido como Projeto RAIZ. A iniciativa integra o Objetivo-Chave 8 da Agenda de Ação da conferência e pretende mobilizar recursos internacionais e promover cooperação tecnológica para recuperar áreas agrícolas degradadas em diferentes regiões do planeta.

Liderado pelo governo brasileiro, o projeto conta com o apoio de nove países: Austrália, Canadá, Alemanha, Japão, Arábia Saudita, Nova Zelândia, Noruega, Peru e Reino Unido. O objetivo é auxiliar as nações participantes na criação de mecanismos financeiros públicos e privados que acelerem a restauração em larga escala de solos degradados.

Modelo brasileiro como referência

Durante o lançamento, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, destacou que o RAIZ se baseia em experiências nacionais, como os programas Green Way e Eco Invest, que mobilizaram cerca de US$ 6 bilhões para recuperar até 3 milhões de hectares de pastagens no Brasil.

“Esses 3 milhões de hectares já incorporados ao sistema produtivo contribuíram para que o país colhesse, em 2025, a maior safra de sua história”, afirmou Fávaro. Ele acrescentou que estudos da Embrapa identificam 40 milhões de hectares em algum nível de degradação no território brasileiro, áreas que podem voltar a produzir com investimentos direcionados.

Aliança internacional pela restauração de terras

A coordenação da iniciativa envolve o Ministério da Agricultura, a FAO, a Food and Land Use Coalition (FOLU), o CGIAR, a Iniciativa de Restauração de Terras do G20, o Banco Mundial, o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e a Agroícone.

Estudos da FAO apontam que mais de 20% das áreas agrícolas do planeta — cerca de 1 bilhão de hectares — estão degradadas. Os impactos incluem queda de produtividade, insegurança alimentar e aumento da pressão por abertura de novas áreas, muitas vezes associada ao desmatamento. No total, a ONU estima em 2 bilhões de hectares o volume de terras degradadas no mundo, afetando 3,2 bilhões de pessoas.

Em 2024, dados do Global Forest Watch mostraram perda de aproximadamente 6,7 milhões de hectares de florestas tropicais primárias.

Impactos globais e necessidade de financiamento

Para a diretora-executiva da FOLU, Morgan Gillespy, restaurar apenas 10% das terras agrícolas degradadas teria impacto significativo: “Poderíamos recuperar 44 milhões de toneladas de produção anual de alimentos, o suficiente para alimentar 154 milhões de pessoas”. Gillespy ressalta ainda que o RAIZ funcionará como uma aceleradora de investimentos, ajudando países a estruturar modelos público-privados que reduzam riscos para o setor privado.

Quatro pilares da iniciativa

A RAIZ foi estruturada em quatro eixos de atuação:

  1. Mapeamento de áreas degradadas
    Criação de ferramenta interativa para identificar regiões prioritárias e orientar decisões de investimento.
  2. Identificação de soluções de restauração e avaliação de financiamento
    Apoio aos governos na definição de tecnologias viáveis e estimativas de custos, retornos e lacunas de financiamento.
  3. Engajamento de investidores e criação de modelos de coinvestimento
    Construção de instrumentos financeiros que combinem recursos públicos e privados, reduzindo riscos e ampliando o volume de capital disponível.
  4. Colaboração técnica e troca de conhecimento
    Sistematização de experiências bem-sucedidas em diferentes países para promover aprendizado global.

Agricultura tropical como vetor de desenvolvimento

O Enviado Especial para Agricultura da COP30, Roberto Rodrigues, afirmou que a agricultura tropical e o RAIZ podem ser replicados em outros países do cinturão tropical. Segundo ele, o modelo favorece uma transição energética justa, a geração de renda e o combate às mudanças climáticas.

“A agricultura tropical, especialmente com iniciativas como a RAIZ, pode ser um instrumento de paz e cooperação global”, afirmou Rodrigues.

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