Brasil e países vizinhos intensificam combate ao garimpo ilegal na fronteira amazônica
A Polícia Federal (PF), por meio do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI-Amazônia), e o Ministério Público Federal (MPF) participaram da fase tática da operação internacional Guiana Shield, voltada ao combate à mineração ilegal de ouro na região fronteiriça entre Brasil, Guiana Francesa, Guiana e Suriname. A ação, realizada no último mês, contou ainda com a participação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), do Ibama e da Polícia Militar do Amapá.
Segundo a Interpol, foram realizadas 24,5 mil inspeções pessoais e veiculares, principalmente no lado estrangeiro. No Brasil, foram registradas 669 abordagens, 375 vistorias em veículos e 36 em embarcações. As fiscalizações ocorreram nas margens dos rios Courantyne, Maroni e Oiapoque, que delimitam as fronteiras entre os quatro países, e incluíram a inspeção de lojas de suprimentos para mineração e embarcações.
A operação teve como objetivo fortalecer a cooperação jurídica e policial entre os países envolvidos, interrompendo o garimpo ilegal e o fluxo de mercúrio utilizado na atividade. Magistrados, membros do MP e policiais atuaram de forma integrada a partir do CCPI-Amazônia, em Manaus.
Na Guiana, três suspeitos de integrar uma organização criminosa de contrabando de ouro foram presos. Com eles, foram apreendidos ouro bruto e US$ 590 mil, valor equivalente a cerca de R$ 3,2 milhões. No Brasil, foram cumpridos mandados de prisão por crime sexual e por tráfico de drogas, além da apreensão de um barco utilizado em pesca ilegal.
A operação também resultou na apreensão de mais de US$ 60 mil (aproximadamente R$ 320 mil) em mercúrio, na Guiana e no Suriname, escondido em painéis solares. O produto é amplamente utilizado na mineração ilegal e provoca graves impactos ambientais e à saúde.
Além disso, foram apreendidos equipamentos usados no garimpo ilegal, como bombas hidráulicas, mantas e armas de fogo, além de rádios de comunicação, medicamentos falsificados, álcool e cigarros. A fase tática da operação ocorreu entre 8 e 11 de dezembro, após um ano de preparação.
Estima-se que o garimpo ilegal no Escudo das Guianas produza de 10 a 12 toneladas de ouro por ano, contra apenas 1 a 2 toneladas legais, gerando prejuízo superior a R$ 3 bilhões anuais. Entre os impactos ambientais atribuídos à atividade estão o desmatamento de 28 mil hectares na Guiana Francesa e 110 mil hectares na Amazônia brasileira, além da contaminação de rios por mercúrio e cianureto.
A operação contou com apoio do programa europeu El Paccto 2.0, da Interpol, e da polícia dos Países Baixos.
