Povos indígenas protagonizam apresentações marcantes e reafirmam ancestralidade no #SouManaus 2025
O “#SouManaus Passo a Paço 2025” reafirmou seu compromisso com a diversidade cultural ao dar protagonismo aos povos indígenas da Amazônia durante os três dias de festival. Em apresentações marcadas por emoção, beleza e ancestralidade, o palco Coreto, montado na histórica praça Dom Pedro II, tornou-se um espaço de reverência às culturas originárias, reunindo danças, rituais, cantos e histórias dos primeiros habitantes da região.
Desde a primeira noite, na sexta-feira (5/9), o Coreto foi cenário de celebrações que conectaram o público com a riqueza cultural dos povos indígenas. Grupos como Aiue, Cipia e Kurata abriram a programação com apresentações que misturaram elementos tradicionais e contemporâneos, criando uma experiência única e imersiva. Segundo a coordenadora da Fundação Municipal de Cultura (Manauscult), Monik Ventilare, o festival reconhece a importância da ancestralidade para a identidade manauara.


“Este palco é o coração do festival, principalmente nessa praça considerada um território sagrado. Iniciar o #SouManaus com os povos indígenas reforça que a cultura ancestral está viva e é fundamental para a construção da nossa identidade”, afirmou.
No sábado (6/9), o destaque foi para o grupo Yasu Yapurasi, da Associação dos Povos Indígenas do Livramento, seguido pelo grupo Warao, que emocionou a plateia com uma apresentação ritualística envolvendo canto, espiritualidade e dança. Para o coordenador da associação, Asterio Martins, participar do festival foi um marco de reconhecimento:
“É a oportunidade de mostrar nossas músicas, danças e rituais, de afirmar que a cultura indígena é viva e merece respeito. Estamos trazendo nossa história para o coração da cidade”, declarou.
A dançarina Deizy Pérez, do grupo Warao, destacou a força simbólica de se apresentar no evento:
“Cada passo e cada canto carregam a memória do nosso povo. Dançar aqui é mais do que arte, é resistência e conexão com nossa ancestralidade.”
O domingo (7/9) consolidou a presença indígena no #SouManaus com o encerramento da programação no Coreto, onde artistas indígenas de diferentes etnias celebraram a floresta, os ciclos da natureza e a força espiritual dos seus povos por meio da música e da performance. A apresentação do grupo Waruna encerrou o ciclo com energia e emoção, encantando o público que lotou os arredores da praça.
Valorização e visibilidade
Mais do que um espaço de entretenimento, o #SouManaus se mostrou uma plataforma de visibilidade para artistas e lideranças indígenas, muitas vezes marginalizados em circuitos culturais tradicionais. A participação ativa dos povos originários deu ao festival um caráter educativo e de valorização identitária, promovendo o respeito à diversidade e ao conhecimento ancestral da Amazônia.

O cacique Luís Kokana, líder de 15 povos indígenas, destacou a importância simbólica da presença no festival:
“Hoje, o sentimento é de conquista. Estamos conquistando o nosso espaço na nossa terra. Antes não éramos vistos. Hoje somos contemplados e valorizados. É uma grande satisfação poder mostrar a nossa representação ao mundo.”
Oportunidade de aprendizado e conexão
O impacto das apresentações não se restringiu aos palcos. Para o público, sobretudo o mais jovem, o contato com os rituais, cantos e danças indígenas representou uma oportunidade de aprendizado e conexão com as raízes amazônicas. A professora de dança Maise Ribeiro, do povo mura, destacou a importância da inclusão:
“O #SouManaus é um evento totalmente inclusivo. A parte que mais gosto é ver a presença dos nossos ancestrais, dos povos originários, que têm a oportunidade de mostrar sua cultura e sua energia. Todos precisam conhecer essa verdade.”
Ao abrir espaço para a cultura indígena em um dos maiores festivais gratuitos do país, o #SouManaus não apenas celebra a arte e a diversidade, mas também reafirma o compromisso com a preservação da memória, da identidade e dos direitos dos povos originários da Amazônia.
O festival mostrou que tradição e contemporaneidade podem dialogar de forma vibrante, emocionante e transformadora — e que a verdadeira riqueza cultural da Amazônia começa com aqueles que sempre estiveram aqui.
Fotos: Divulgação/Semcom
